Arquivo de 30/04/2010
Enquanto indústria da cal de Dix-sept Rosado agoniza, Baraúna ganha planta de grande indústria
30/04/10
Enquanto a Unimin fechou as portas, e a indústria da Cal de Dix-sept Rosado só sobrevive às custas de devastação indiscriminada e irracional de nossas florestas e de “sufocar” o povo com fumaça de pneu e outras substâncias tóxicas e cancerígenas, vejam o que está para acontecer em Baraúna.
Recebi um comentário do leitor (sempre atento) Observador, que me envia uma notícia publicada hoje, no Jornal Defato.
Enquanto nós temos a infraestrutura, mão-de-obra, o gás, e, principalmente as maiores e melhores jazidas de calcáreo do país, Baraúna ganha uma grande indústria de beneficiamento da cal.
Vejam um trecho da reportagem (reproduzida no seu inteiro teor logo abaixo):
“a Ical vai investir R$ 200 milhões na instalação da indústria e gerar 200 empregos diretos e 1.200 indiretos.”
Minha indignação é que o modus operandi de uma empresa do porte da Unimin ou Ical é muito diferente da que hoje é produzida em Dix-sept Rosado. Certamente é ambientalmente mais responsável e tem uma política de recursos humanos menos nociva da que hoje é praticada na nossa esculhambada indústria caieira.
Em termos de atuação responsável é infinitamente impossível a comparação.
Enquanto isso, continuaremos a ver nossa vegetação desaparecer, a comer, engolir e respirar cal e fumaça e, ainda por cima, dar Graças a Deus por isso! Bendita/maldita ignorância!!!
Alguma coisa tá errada, vocês não acham?
Baraúna pode ganhar indústria de cal
MAGNOS ALVES
Da RedaçãoO Governo do Estado e a Indústria de Calcinação Ltda (ICAL), de Minas Gerais, iniciaram conversas que podem culminar com a instalação de uma indústria de cal no município de Baraúna. O primeiro encontro foi realizado na última quarta-feira e nesta quinta-feira diretores da Ical voltaram a se reunir com representantes do Governo. Desta vez para discutir com a Companhia Potigas de Gás (POTIGAS) a possibilidade de fornecimento de gás para a possível futura indústria.
O presidente da Potigas, Nelson Freire, declarou que a reunião foi positiva e que o próximo passo será a realização de estudos técnicos para avaliar a viabilidade do fornecimento de gás. "Vamos aguardar o envio de especificações técnicas sobre as necessidades da empresa para depois fazer os estudos necessários", explicou.
Nelson informou que uma possibilidade para atender a Ical é a construção de um gasoduto entre Mossoró e Baraúna, já que ainda não existe malha de gás natural até a área onde a indústria poderá ser instalada.
O gasoduto teria uma extensão aproximada de 30 quilômetros, mas sua construção depende da quantidade de gás que será consumida pela Ical. "Precisamos fazer um estudo profundo sobre o assunto, mas posso adiantar que vai depender da quantidade e do preço que poderemos alcançar com o gás, pois a Potigas é apenas uma distribuidora e precisa ter lucro", salientou.
Nelson Freire disse que a reunião com os representantes da Ical não foi conclusiva, mas foi muito boa e terá novos desdobramentos porque existe interesse das duas partes.
A reportagem não conseguiu falar com os diretores da Ical que participaram dos encontros em Natal, mas o departamento de recursos humanos da empresa informou que existe interesse em investir na região. Informou também que a empresa possui um terreno no município de Baraúna. O departamento só não falou sobre os valores que poderão ser investidos. "Apenas os diretores ou a presidente da empresa podem falar sobre esses detalhes", justificou uma representante do setor.O Governo do Estado divulgou que "a unidade da Ical de Baraúna terá sua instalação iniciada dentro de quatro meses e será inaugurada no primeiro trimestre de 2012".
Ainda segundo o Governo, a Ical vai investir R$ 200 milhões na instalação da indústria e gerar 200 empregos diretos e 1.200 indiretos.
Artigo: Exploração de calcário destrói fósseis do tempo dos dinossauros em Governador Dix-sept Rosado/RN
30/04/10
Recebo sempre emails com artigos (muito bem) escritos pelo Mestre e Geógrafo José Romero Cardoso, e sempre leio seus textos. Desta feita, ele me envia um artigo bem interessante sobre a exploração indiscriminada do calcário e suas consequências negativas para a preservação das relíquias fósseis da nossa região.
As palavras de Romero falam por sí só. Confiram!!!
Exploração de calcário destrói fósseis do tempo dos dinossauros em Governador Dix-sept Rosado/RN
(*) José Romero Araújo Cardoso
A exploração de calcário intuindo a fabricação da cale atividade econômica antiga no município de Governador Dix-sept Rosado/RN, consistindo em importante fonte geradora de emprego e renda.
Quando a atividade era totalmente artesanal a ameaça ao meio ambiente não era tão latente, como nos dias de hoje, pois a instalação de grandes companhias mineradoras que se dedicam à exploração do calcário vem comprometendo o patrimônio natural, sobretudo a riqueza fóssil existente no lugar.
Fósseis que remontam a era cretácea, pois a região inteira foi inundada pelo mar há milhares de anos, estão sendo criminosamente destruídos para que as exigências do capital sejam enfatizadas.
Animais marinhos, conchas, tartarugas e outros quelônios são encontrados em todo afloramento do calcário Jandaíra no município de Governador Dix-sept Rosado/RN, bem como em outros locais onde a proeminência da era terciária se efetiva.
Dessa forma, torna-se urgente a ação pública e privada no sentido de buscar garantir a permanência dessas relíquias paleontológicas para o presente e para o futuro como fundamento a uma melhor qualidade de vida, pois conhecer o passado é condição sine qua non para nos reconhecermos enquanto seres humanos que respeitam o meio ambiente.
Exemplo de como a agressão antrópica vem se efetivando de forma proeminente, intuindo disponibilizar matérias-primas para as exigências das construções humanas, observamos na forma como vem sendo agredido o entorno da caverna calcária do poço feio, localizada na comunidade rural do sítio Bonito, próximo das margens do rio Apodi-Mossoró em sua passagem pelo município de Governador Dix-sept Rosado/RN.
A caverna calcária do poço feio é uma das poucas ressurgências do Estado do Rio grande do Norte, representando importantes patrimônios espeleológicos e paleontológico. A riqueza fóssil, ainda pouco estudada, vem sendo comprometida com a forma que a exploração calcária se torna cada vez mais intensa.
A destruição fóssil é um crime ambiental sem paralelos, pois agindo assim o homem desperdiça riquezas incalculáveis que a natureza disponibilizou ao longo dos milhares e milhares de anos.
Não obstante ser pouco expressiva com relação à Chapada do Araripe, no Estado do Ceará, a riqueza fóssil do município de Governador Dix-sept Rosado precisa ser imediatamente estudada e catalogada, com ênfase para os fósseis da área do poço feio.
Trabalho interessante foi realizado pelo cientista Vingt-un Rosado, quando administrava a pedreira de gesso na Espadilha.
Vingt-un Rosado conseguiu coletar e preservar toneladas de fósseis, que hoje se encontram guardadas no Museu Paleontológico Professor Antônio Campos, localizado na Universidade Federal Rural do Semiárido, antiga ESAM.
Precisamos que pessoas com a visão Vingt-uniana se ergam e façam valer as prerrogativas contidas na filosofia do velho mecenas mossoroense, pois a preocupação do célebre estudioso é referência para todos que buscam melhores dias para toda a humanidade.
(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor-adjunto da UERN. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente.





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