Publico mais um artigo, da amiga Ludimilla Carvalho, doutoranda em Arquitetura e Urbanismo pela UFRN.

Desta feita ela aborda as transformações urbanas da cidade de Mossoró, em especial a sofrida pela Av. Rio Branco.

Agradeço a Ludimilla pelo envio dos artigos, que publico ipsis litteris aqui no The Place. Espero em breve, poder estar dividindo as publicações de artigos aqui nesse espaço. Com o início das aulas no mestrado, em março, parece que não demorará muito tempo.

AVENIDA RIO BRANCO EM MOSSORÓ/RN: REFLETINDO SUAS MUDANÇAS.
LUDIMILLA CARVALHO SERAFIM DE OLIVEIRA.

A expansão urbana de Mossoró foi deflagrada por um conjunto de circunstâncias e dentre elas a questão econômica merece seu valor. A infra-estrutura urbana foi sendo construída e melhorada à medida que, os espaços foram sendo demandados e utilizados frente às transformações e inovações do processo de crescimento econômico e social da cidade. Nesse sentido, a realização de eventos(Mossoró Cidade Junina; Cortejo da Liberdade;Apresentação teatral Chuva de Bala no País de Mossoró) num determinado espaço público, fazendo menção a Avenida Rio Branco em Mossoró/RN, expressam o efeito das reações de produção sobre as relações sociais num espaço público. Haja vista, decorre neste sentido a valorização do lugar, não somente pela infra-estrutura existente, mas pela valorização do uso e do sentido atribuído enquanto eixo de articulação entre as pessoas e o espaço geográfico construído.

Em Mossoró/RN, cabe destacar dentre alguns locais já transformados a proposta de urbanização da Avenida Rio Branco, que traduz esta realidade, quando ao longo de diferentes bairros, as obras infra-estruturais demonstram uma preocupação com o uso e ocupação do espaço frente ao sentido delineado para cada um. A Avenida Rio Branco atravessa quatro bairros(Bairro Alto da Conceição, Bairro Lagoa do Mato, Bairro Bom Jardim, Centro) da cidade de Mossoró e na sua área mais central, as atividades e os serviços oferecidos centram-se nos aspectos culturais e de lazer, haja vista, a existência de empreendimentos como Teatro Municipal(Dix Huit Rosado) e um espaço para realização de festas públicas(Estação das Artes), caracterizam uma via de urbanização, favorecendo o fluxo de pessoas, mas dinamizando uma construção social do espaço público.


É notório que, as ações atribuem ao lugar sentidos de pertencimento, de outro modo as espacialidades incidem igualmente na construção dos sentidos locais onde as diferenças se publicizam e se constroem a partir de novas visões e de ideologias. Desse modo, o espaço público pode ser entendido conforme as interfaces que relacionam a esfera pública e o espaço urbano. Já que, a dimensão socioespacial da vida urbana, caracteriza-se crucialmente pelas ações e pelos valores delineados a certos espaços da cidade e são por eles influenciados.

Com isso, percebe-se que os padrões de desenvolvimento dos espaços diferem entre si, haja vista, os condicionantes para tal desenvolvimento coordenam um conjunto de esforços que vão se materializando a priori, nos espaços em que as condições socioeconômicas se apresentam melhor singularidade como é o caso de Mossoró. Isto é, onde há infra-estrutura e, promove uma maior interação e um conjunto de sentidos mais cristalizados, a partir da espacialização e do seu uso, fazendo menção a Avenida Rio Branco.

A revitalização do espaço público, de um modo geral está aliada ao uso dos mesmos, nessa perspectiva a gentrificação pode ser pensada como forma de inclusão social, promoção da cidadania, assim como um reforço das identidades locais. Visto que, as políticas urbanas de revitalização dos espaços concentram interesses públicos, como também do capital imobiliário. Pois, nos casos da revitalização urbana, deve-se dar destaque a produção de novos cenários, ou novas paisagens, apresentando-se enquanto uma articulação específica entre a recuperação das antigas edificações, assim como da construção de novas edificações.

Particularizando-se o caso para a referida Avenida, a revitalização do seu espaço possui como proposta ocupar o espaço de uma ferrovia desativada, com um corredor cultural. O projeto , já realizado, compreende um conjunto de praças com usos e funções diferentes dando-se destaque para: Um museu histórico que retrata a história do cangaceiro Lampião; uma praça com parque temático(Disney) infantil; um espaço para eventos; uma praça de esportes e um espaço(antiga sede administrativa da ferrovia), que abriga o museu do petróleo e um auditório para eventos, além do aproveitamento da via que antes passava os trilhos na área da antiga sede administrativa para realizar festas e eventos públicos.

Nesses moldes, alguns locais que antes foram cenários de um espaço de atuação numa determinada atividade pode, posteriormente dar espaço para transformações advindas de uma política urbana, calcada no viés da revitalização e da requalificação dos lugares. Tais propostas promovem sólidas mudanças no convívio e na vida em comunidade, alterando os fluxos e a dinâmica sócioespacial das esferas política, econômica, social e ambiental.

Em Mossoró, essa perspectiva não foi diferente, já que a Avenida Rio Branco outrora representou um centro comercial, com atividades industriais, além de uma ferrovia na qual seu trajeto permeou o desenvolvimento de bairros no entorno da mesma e serviu para centralizar a partir de sua função social um espaço de fluxos e dinâmicas, capazes de nortear um conjunto de processos que deram origem a um espaço e na atualidade engloba um conjunto de usos públicos com fins culturais e turísticos mudando nessa óptica, seu uso e sua ocupação.

Os vetores de crescimento promoveram no espaço urbano uma modificação no padrão vida, frente à melhoria e consolidação de alguns bairros já existentes, principalmente os populares como: Alto da Conceição e Bairro Bom Jardim. Desse modo, provocaram e estabeleceram um novo acesso aos equipamentos comerciais, fazendo um recorte para Mossoró, na área de urbanização da Avenida Rio Branco, a abertura de vias promoveu aos bairros que a mesma pertence uma renovação junto a chegada de recentes construções, além de valorizar as glebas vazias como espaços centrais aptos a implantação de importantes empreendimentos.

É professora, atualmente Doutoranda em Arquitetura e Urbanismo pelo PPGAU/UFRN.