Os fornos da cal e a qualidade do ar em Dix-sept Rosado
Recebi o seguinte email (transcrito abaixo) de um leitor do blog, realizando uma denúncia sobre as condições insalubres proporcionadas pelos fornos de cal, localizados próximo ao cemitério novo. Como o leitor solicitou no email que eu não divulgasse seu nome, respeitarei sua vontade e publicarei apenas o conteúdo da mensagem.
Eis o texto:
Wilton
Boa tarde!Sempre leio seu blog,desde já quero te parabenizar por esse espaço muito interessante e importante para nós dixseptienses, por isso mesmo que estou lhe enviando esse e-mail por que sei que vc é uma pessoa culta e inteligente e que com certeza irá comentar esse assunto no seu blog:
Acho um verdadeiro absurdo e desrespeito com nós dixseptienses aquela moagem de cal naqueles fornos em frente ao cemitério novo,rapaz a noite naquelas imediações ninguém consegue sentar nas calcadas,ninguém consegue enxergar nada com tanta poeira,sem contar os imensos danos que isso implica na saúde das pessoas,com certeza não sou nem um idiota, sei que nossa cidade precisa dessa atividade para continuar crescendo e gerando empregos, mas de uma forma responsável e correta.portanto conto com sua indispensável ajuda para podermos sanar essa situação tão desagradável.
Caro Leitor, concordo com você sobre o caráter prejudicioso das atividades da cal em nosso município. Tenho certeza que o assustador número de casos de câncer em Dix-sept Rosado, não acontece por acaso. Ainda é possível observar que muitos fornos de cal ainda utilizam-se de combustíveis que geram gases perigosíssimos para a população que mora no entorno das caeiras, como por exemplo pneus.
Já alertei para o fato diversas vezes aqui no blog, mas como sempre, não há ouvidos para ouvir certas vozes dissonantes.
É mister que qualquer que seja a ação tomada para dirimir o problema, a questão social que a situação embute precisa ser criticamente analisada. Qualquer medida que venha a ser tomada no sentido de minimizar o problema da cal, pode vir a causar muitos desempregos, haja vista muitos dixseptienses viverem especificamente dessa atividade.
Mesmo assim, acho que já deveriam ter sido envidados alguns estudos de qualidade do ar na cidade, a fim de verificar de fato, o nível de degradação do ar provocada pelos fornos da cal.
Parabéns pela sua atitude, espero que os produtores de cal, instalados na área citada, tenham consciência do problema que estão causando. Espero ainda que sua solicitação não tenha sido em vão, que nossas autoridades comecem a entender a magnitude do problema que há muito prejudica nossa população.


há 1 ano atrás
EU TENHO CERTEZA QUE SE O PROMOTOR SOUBESSE DA REAL SITUAÇÃO
DO QUE ACONTECE COM RELAÇÃO AOS FORNOS DE CAL, ELE MANDADA PARAR NA
HORA, ATÉ QUE HOUVESSE UMA SOLUÇÃO PARAO CASO. E SEM ESSA DE
CAUSAR DESEMPREGO, EMPREGO NÃO PODE SER DEFENDIDO EM DETREMENTO
DA VIDA HUMANA. ALGUEM AVISE AO PROMOTOR PRA VER.
há 1 ano atrás
Caro anônimo,
Não sei como ele (o promotor) poderia não saber!!! Ele trabalha aqui, convive com funcionários e usuários dos serviços da promotoria daqui de Dix-sept Rosado. Todo mundo sabe que o pó da cal e a fumaça exalada dos fornos não é saudável, pelo contrário é altamente prejudicial à saúde da população.
Concordo com você, quando diz que é primordial priorizar à saúde da população em detrimento de qualquer setor industrial ou do emprego de quem quer que seja, só que a situação social também não pode ser relegada à segundo plano. Se há interesse em sanar o problema, que essa situação também seja levada em consideração e nossas autoridades possam proporcionar aos trabalhadores da cal, possibilidades de desenvolvimento profissional e aproveitamento em outras atividades econômicas.
Muito obrigado pela participação, sinto em você não ter se identificado, a discussão aberta agrega mais valor a qualquer debate.
há 1 ano atrás
Sempre me surprendi em ver a proximidade dos fornos ao cidade. Olha como o Ki-Cal era construido bem longe da cidade.
Nao resisti olhar o que eu pode achar no Internet sobre os efeitos de cal na saude. Achei um resumo de um estudo sobre um area em Sri Lanka. Parece uma situacao bem parecido com o de Governador Dix-Sept (Eh en Ingles).
O artigo diz que os mais afeitados sao criancas e idosos, que sofram uma indice maior de asma, bronquite e tuberculose. E isso eh so do po. Nem fala da fumaca.
41% das pessoas que vive numa distancia menos de 500 metros do forno foram afetados. Para quem vive entre 500 e 1000 metros distante, 12% foram afetados.
http://www.pgia.ac.lk/congress/vol18/Economic%20and%20Health%20Consequences%20of%20Lime%20Dust.pdf
O custo que eles dao parece ser em Reais, mas eh em Rupis! (parece ter como 25 rupis por real).
A minha ideia humilde exige a proibicao total de fornos artesenais acompanhado com a re-abertura do antigo Ki-Cal como um tipo de cooperativo. As pessoas levavam cal para ser queimado, e este cal era deles, receberiam o cal para vender depois de ser processado. Pagariam por este servico um preco aproximadamente equivalente o que eles iam gastar em operar o forno durante uma queimada de cal. O Petrobas podia fornecer o gas ao forno moderno como uma bem ambiental de eliminar a poluicao e o desmatamento.
Bom, as pessoas que ganham a vida cortando, trasportando, e queimando a lenha podem sofrer com este plano, mas qual eh o preco de continuar sem fazer nada?
Desculpe os erros e a falta de acentos. O meu computador e mente sao de outro pais!
há 1 ano atrás
Grande Peter, seus erros de português são totalmente perdoáveis em face da importante e inteligente proposição, por você postulada.
É imperativo que se procure soluções, que se discuta uma saída para esse cenário que há anos se arrasta e vem prejudicando a saúde das pessoas aqui em Dix-sept.
Explêndida idéia com relação a uma espécie de cooperativa da cal, onde o forno contínuo da Kical poderia ser reativado para uso dos industriários, eles pagariam pelo uso do forno e teriam o retorno de acordo com o montante de sua produção e também pela produtividade alta que o forno proporciona em detrimento dos velhos fornos artesanais.
Se uma idéia desse tipo fosse colocada em prática, teríamos a melhor opção no que diz respeito a sustentabilidade do setor da cal, onde os ‘forneiros’ continuariam a produzir seus produtos, sem trazer prejuízo as pessoas de nossa cidade.
Uma outra vertente importantíssima que seria minimizada com a adoção de sua idéia seria o impacto sócio-ambiental que a atividade causa, pois para queimar fornos, os industriários utilizam muita lenha, sem falar que as rotinas diárias dos trabalhadores da cal é desumana.
Muitíssimo obrigado pela participação, é uma honra saber que você nos acompanha diariamente. Grande abraço pra você e Salete, fiquem com Deus!!!
há 1 ano atrás
Na verdade os impactos ambientais causados na atividade citada,são varios, iniciando pelo desmatamento de nossa caatiga, onde não há nenhum reposição nas áreas desmatadas, nossa mata está diminuindo aos pulos e não existe iniciativa pra um reflorestamento. Atualmente, o que vejo, é mais um impacto que antes não existia, que é a remoção da camada superficial do solo pra a extração da rocha calcária, que é utilizada para queima, e consequentemente termos a cal. Vejo grandes áreas onde essa remoção do solo é feita sem qualquer fiscalização dos órgãos responsáveis, ou seja, quando a camada superficial é removida, eé removida também a camada mais fértil, e o solo não terá mais condições de nutrir nenhuma espécial vegetal, mesmo a nossa (CAATINGA), e ai começa um processo de desertificação. Outro impacto da atividade é a fumaça dos caminhões e caçambas que transportam a lenha extraida e a pedra, temos ainda o impactos do resto de cal que é jogada fora, em qualquer lugar, nas estradas, nas lagoas, no Rio, e como já foi comentado, os impactos na transformação da pedra em cal, que é a fumaça, digasse de passagem, nas primeiras horas da queima de um forno tem um odor desagradável.
Sei da importância econômica da atividade para o município, mas também sou sabedor que na atualidade, o meio ambiente precisa de cuidados especias! (Quando falo em meio ambiente, inclui-se tambem o ser humano), O Amigo Peter, deu uma idéia legal, mas não é só isso que tem que ser feito, é preciso de um estudo de impactos ambientais mais aprofundado na atividade, procurar minimizar-los, e isso, é de responsabilidade de quem trabalha na atividade caeira, afinal, que paga o passivo ambiental é o poluidor, segundo a legislação ambiental.
Mas, temos que dá o primeiro passo, graças a DEUS vejo que a população de nossa cidade está acordando!!!
há 1 ano atrás
Caro George,
Felizmente parece que temos uma discussão de propriedade em torno do assunto, que é crítico. É preciso que esse debate ganhe corpo, que nossas autoridades participem como agentes ativos, que nossos industriários saiam da defensiva (ou ofensiva) e atuem com idéias e participem como promotores dessa necessária mudança. Não há como em pleno século XXI, com toda a conscientização social e ambiental, ficarmos parados ante essa situação.
Obgdo pela oportuna e importante participação…. gde abraço!!!