O homem que queria salvar o mundo
Ainda há quem diga que o orkut é um site voltado pra aborrescentes.
Há muito participava da comunidade que homenageia o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, e diante da dificuldade de encontrar alguma biografia sobre o homem do mundo que ele foi, postei uma mensagem, pedindo ajuda aos outros participantes.
Eis que recebi uma mensagem com uma excelente notícia. A biografia do brasileiro escrita pela professora de Harvard, Samantha Power, intitulada Chasing the Flame (algo como: ‘perseguindo a chama’), foi finalmente disponibilizada na nossa língua pátrea. Aqui recebeu o excelente título: O homem que queria salvar o mundo.
O livro foi publicado pela Cia das Letras e está disponível para venda no Submarino, por uma verdadeira ninharia face a importância da obra: R$ 46,90. Clique aqui e veja a página do livro no Submarino.
Caso não consiga achar o livro em alguma das livrarias de Mossoró, na segunda-feira mesmo vou realizar o pedido pelo Submarino. Se vocês forem ousados e quiserem conhecer um exemplo de vida, a história de um homem que dedicou (integralmente e literalmente) sua vida, em prol da paz, liberdade e igualdade entre os povos, metam a mão no bolso e adquiram também o livro. Conheçam de fato um brasileiro que orgulha o mundo por seu trabalho realizado como Alto Comissário das Nações Unidas.
Sérgio Vieira morreu em 19 de agosto de 2003, por ocasião de um ataque terrorista à sede local das Organizações das Nações Unidas no Iraque, quando tinha sido indicado pelo Secretário Geral da ONU, Kofi Annan para chefiar as ações de restruturação do país, depois da invasão americana. Ele certamente seria o sucessor de Annan na ONU.
Vou parar o post aqui. Utópico que sou e fã inveterado do diplomata, sempre me emociono quando leio algo ou falo sobre Sérgio Vieira de Mello. Sou meio suspeito para falar sobre ele, mas gostaria de deixar para os webamigos, o teaser (descrição) do livro realizada pelo Submarino:
Sergio Vieira de Mello foi um dos mais corajosos e carismáticos diplomatas de sua geração. Carioca, viu-se obrigado a viver fora do país a partir dos dezessete anos de idade, quando seu pai, também diplomata, foi punido pelo regime militar brasileiro. Muito jovem, tornou-se funcionário da Organização das Nações Unidas, com cujos ideais sempre teve grande afinidade. Diferentemente da maioria de seus colegas com formação universitária e aspirações intelectuais, preferia ir ao campo de ação em vez de exercer cargos burocráticos em Nova York. Em situações especialmente dramáticas – como a de Ruanda, que terminou em uma das mais graves crises humanitárias do século XX, e a do Timor Leste, que culminou em bem-sucedida transição para a independência -, Vieira de Mello conseguiu contrabalançar seus princípios juvenis, moldados nas ruas de Paris em maio de 1968, com os da política e das relações internacionais.
Esse fascinante personagem, já descrito como uma mistura de James Bond com Bobby Kennedy, é analisado a fundo nesta biografia de Samantha Power, outra jovem figura da mais alta relevância na teoria e prática da política internacional. Sem abandonar o espírito crítico, Power descreve a vida de Vieira de Mello em detalhes e com inegável simpatia, mostrando como a experiência do diplomata nos massacres da Bósnia e de Ruanda alteraram sua visão de mundo. A partir deles, ele, que achava possível transformar situações difíceis à base quase exclusivamente do poder das idéias, passou a considerar também essencial, no limite, o uso de força militar para impor a paz. Foi dessa maneira que Vieira de Mello assumiu a difícil posição de chefe da missão da ONU no Iraque após a invasão americana, num momento em que o governo dos Estados Unidos e seus representantes em Bagdá ainda consideravam a ONU mais um empecilho do que um aliado (depois, com o fracasso incontestável das políticas de ocupação, essa atitude mudaria radicalmente). Vieira de Mello não teve muito tempo para reverter a situação. Em 19 de agosto de 2003, um atentado suicida destruiu parte do quartel-general da ONU em Bagdá, e ele foi uma das suas vítimas fatais. Sua história, no entanto, permanece como ponto fundamental no debate sobre o futuro da ONU e das relações internacionais.

